Especial:O desfecho -o fim da era Dilma

Especial:O desfecho -o fim da era Dilma

Especial Marcos Philip: Hoje, dia 11 de maio de 2016, chegamos à etapa derradeira do processo de impeachment do Presidente da República Federativa do Brasil, a Excelentíssima Sra. Dilma Vana Roussef, que inevitavelmente será afastada pelo Senado Federal por até 180 dias a não ser que um milagre ocorra, haja vista as declarações de diversos senadores favoráveis ao seu afastamento.

A ainda Presidente vem sangrando politicamente há bastante tempo, não possui capital político para se manter no Planalto e tomou diversas atitudes  equivocadas e desesperadas que só agravaram sua situação, como o último e derradeiro ato do AGU, o Sr. José Eduardo Cardozo, ao convencer o Presidente interino da Câmara, o Deputado Waldir Maranhão a tentar anular o andamento do processo de impeachment que já se encontra no Senado para votação, levando o Presidente do Senado, o Senador Renan Calheiros, um dos seus últimos e maiores aliados no Senado a se enfurecer e provavelmente desejar sua queda e consequentemente livrar-se dela.

Do meu ponto de vista, o que ocorre neste processo não é pura e simplesmente um golpe. Há sim um movimento político que não queria mais ver Dilma Roussef como Presidente e estavam à espreita esperando a oportunidade (crime de responsabilidade) que serviria de fundamento, e foi lhes servido as controversas pedaladas fiscais.

O processo de impeachment tem natureza mista, pois apesar de ser necessário o cometimento de crime de responsabilidade, que governistas dizem que não ocorreu e a oposição diz que sim, que foram a abertura de créditos suplementares e operações de crédito junto a bancos públicos.

Não entrarei no mérito se houve ou não crime, mas fato é que muitos concordarão comigo de que a Dilma só está sendo impedida por esses supostos crimes porque é ela a presidente, porque no Brasil quase nenhum governante respeita fielmente as leis orçamentárias ou a Lei de Responsabilidade Fiscal e mesmo assim não são acusados de crimes de responsabilidades porque têm poder político sobre o Legislativo, que pouco se importa com esses “deslizes”. Se fosse o Aécio neste caso, não caia. O Lula não caia por isto. O FHC não cairia também. Nem o Cunha cairia. Nem o Temer vai cair. Só você Dilma, por ter abandonado suas bases, por não ter tido jogo de cintura; por ter confiado em quem não deveria e deixar de fazer os acordos políticos necessários.

Quero deixar bem claro que não sou a favor de fisiologismo ou entregar o patrimônio público na mão de corruptos ou ser um. Estou dizendo que é preciso saber jogar o jogo. Ela poderia ter buscado apoio em parlamentares novatos que estavam em busca de fortalecimento num ambiente hostil como o Congresso, além de fortalecer seus antigos aliados e aparar arestas e se reconciliar com os aliados que se sentiram traídos, podendo até mesmo angariar apoios esporádicos em partidos que são de oposição, mas que possuem bandeiras semelhantes como o PSB e até mesmo o PSDB, além de neutralizar alguns setores do PMDB.

Era necessário pragmatismo político e não manobras equivocadas e altamente arriscadas como tentar enfraquecer o PMDB, apoiando uma nova legenda proposta por Kassab que tiraria diversos parlamentares do partido. Dilma Roussef foi tão ineficaz no comando do país e da política apesar de todo o respeito e poder da Presidência, que nem mesmo em seu partido , o PT, ela era unanimidade.

Em matéria publicada pela revista Piauí em 2010¹ intitulada “A Cara do PMDB e traça-se o perfil de Michel Temer antes das eleições, “o historiador Luiz Felipe de Alencastro chamou a atenção para um problema em potencial do consórcio PT-PMDB e lançou a seguinte profecia: “Uma presidenciável desprovida de voo próprio na esfera nacional, sem nunca ter tido um voto na vida, estará coligada a um vice que maneja todas as alavancas do Congresso e da máquina partidária peemedebista”, disse Alencastro. “É uma chapa de alguém que sabe tudo e tem sob seu comando a maior bancada do Congresso, com alguém que vai começar a aprender.” Acrescente-se que Dilma não tem ascendência sobre o PT. Ela ficou no Partido Democrático Trabalhista, o PDT de Leonel Brizola, até 2001. “E nele desenvolvia uma política de cunho provinciano-familiar: eleger seu marido governador do Rio Grande do Sul.”

Então a jornalistas indagou se “Lula e o PT, por trás de Dilma, não poderiam estabelecer um equilíbrio de forças”? ele respondeu “Ninguém sabe onde Lula estará no próximo governo e o PT não tem liderança no Parlamento.”

A matéria prossegue com esta mesma qualidade de análise e tom profético, prevendo os atuais desdobramentos. Temer nega que tenha movidos essas tais “alavancas” para a queda de Dilma, mas os fatos teimam em contradizê-lo. Eduardo Cunha, presidente da Câmara que aceitou o pedido de impeachment depois de ter infernizado a vida do governo, é seu aliado. Paulo Skaf, presidente da FIESP,que organizou e liderou diversos protestos pró-impeachment é seu aliado e filiado ao PMDB, por quem concorreu às eleições para governador de SP, também é seu aliado e possível ministro em seu governo. Soma-se a isto o pandemônio que o país se transformou depois de 2014, com a Lava-Jato e as delações premiadas, com o estrago político que foi as investigações recaírem sobre Lula e para fechar com chave de ouro mais um erro: a nomeação de Lula como Ministro.

Fato é que Dilma Roussef não possui o comando do país há bastante tempo e devido à situação econômica gravíssima que ela mesma criou com os equívocos na condução econômica do país e ao tentar fazer os ajustes fiscais que eram necessários e ainda são, passou a tomar medidas contrárias ao que prometera nas eleições e abandonando seus eleitores e foi atropelada por uma Câmara dos Deputados extremamente hostil que passou a sabotar sistematicamente suas ações, não aprovando as medidas que os próprios deputados achavam necessárias e quando aprovavam primeiro a faziam sangrar e fazer concessões antes de ter apoio e depois aplaudiam quando os seus aliados a criticavam por passar a fazer de tudo para se manter no poder. Neste momento o mais sensato seria renunciar, mas devido à sua história de vida de luta como guerrilheira, a “coração valente” renunciar seria um ato de covardia e sua já manchada reputação iria para as latas de lixo da história. Confirma essa ideia a última pesquisa feita pelo Instituto Paraná em que sua popularidade estava em 18%, o dobro das últimas pesquisas quando estava por volta de 9%.

Dilma fez tudo errado: fortaleceu seus inimigos e enfraqueceu os aliados; tentou agradar os poderosos que não queriam ela no poder e virou as costas para o povo. Quando percebeu que estava sendo manipulada, tentou voltar para o povo que não a apoiava mais e já estava iludido com outras promessas que os mesmos poderosos ofereciam. Era tarde demais, fato consumado. Até a carreira solo de Dilma está ameaçada, pois nunca teve voo próprio, apesar de sair com a imagem de honesta. Maquiavel estava certo. Como sempre.

Bom, seja como for, o impeachment hoje é inevitável e como brasileiro, só posso desejar boa sorte a Michel Temer neste seu novo governo, que receberá um Congresso neste primeiro momento receptivo, sedento por mudanças e alterações na Constituição, voraz por cargos, disposto a fazer os ajustes necessários. Pedir para que façam o melhor para o povo seria ingênuo, mas vamos torcer para que não haja um retrocesso nos direitos e garantias. Espero também que esta sede por moralismo, esta exigência para que as leis orçamentárias e a Lei de Responsabilidade sejam respeitadas não seja casuística e útil somente para a Dilma e o PT, mas para todos os governantes. E que se isto ocorrer que o povo vá para a rua.


Marcos Philip