Os dois lados da corrupção

Os dois lados da corrupção

Nos últimos anos os temas violência e corrupção tem ocupado o topo dos debates mundo afora principalmente no Brasil, país a qual lista o topo de quase todos os índices negativos. O problema da violência e da corrupção não são meios nem casos isolados. São provavelmente consequência de vários erros negligenciados no passado e de vários interesses do presente. Por exemplo, a imprensa tradicional tem se empenhado em mostrar os corrompidos e não os corruptores pelo fato de corruptor direto ou indireto ser a própria imprensa por omissão ou atuação. No campo da segurança tanto governadores e legisladores quanto a iniciativa privada se dedicam muito em manter tudo como estar vendo apenas como a fonte milionária de renda de algumas dezenas de cabeças. Violência é um bom negócio. Não é diferente no campo financeiro onde praticamente metade do PIB é destinados a sustentar os juros dos bancos e rentistas que defendem o atual sistema.

A corrupção é fruto de vários males, mas também de muitos bens dentre eles o poder e a riqueza. A violência é fruto de vários males, dentre eles a corrupção moral, patrimonial, ideológica, política, privada e pública, a corrupção da informação, do conhecimento, da verdade, dos interesses ..., porém o maior foco gerador da violência é também o da corrupção, pois ambos se proliferam por dois motivos básicos: a impunidade e a estimulação.

É normal para o ser humano ter uma visão de que o corrupto é sempre o outro, porque no fim das contas ninguém pretende produzir provas contra si mesmo. Porém, o fato é que os corruptores jamais estão no centro do debate.  Isso ocorre porque a corrupção tem como teor principal beneficiar uma gama enorme de interessados afim de evitar ao máximo uma furada ou descontentamento de alguém que possa atrapalhar o esquema e levar tudo à tona. Isso seria ruim para o negócio, e é exatamente por isso que é tão difícil combater a corrupção sendo tão fácil ser corrupto. Aquele que corrompe tem um interesse e gratifica os corrompidos com os interesses deles, quase sempre em valores patrimoniais, pecuniários e de influência.

É inegável que há desinteresse da sociedade e principalmente da justiça em perseguir os corruptores, porque geralmente esses são sujeitos com muito poder e riquezas capaz de influenciar as decisões, a imprensa quando não for ela mesmo o corruptor, e decidir o futuro da carreira dos envolvidos nas investigações. Em casos mais extremos e possíveis, ocorrem assassinatos estranhos em forma de doenças raras, cardiovasculares, acidentes ou suicídios. Quando há uma atuação mais firme da justiça, os investigados geralmente são pessoas com desaprovação popular causada por uma perseguição constante da imprensa (por abandono do “esquema”). Outrora, muitas das atuações da justiça são meras simulações afim de alimentar os anseios sociais quando na verdade nada está ocorrendo no tocante punitivo.

A psicologia tem um posicionamento interessante ao se empenhar em revelar que a violência e a corrupção não são apenas devidas ao abandono da educação. Pensar assim é um grande equívoco, uma vez que o próprio Estado é violento e injusto com a sociedade. É uma questão psicológica associada a crueldade do sistema político e ineficaz do Estado, as sombras ditatoriais do sistema de consumo e as desavenças do ambiente em que vive. As pessoas passam muito tempo no transito, passam muito tempo trabalhando objetivadas em adquiri algum bem ou mesmo algo de necessidade quando depara com o constrangimento ao descobrir que não ganham o suficiente para tal, uns passam fome enquanto outros jogam toneladas de alimentos no lixo, a poluição sonora e visual é assoante e as mídias tem defasado e estuprado a cultura do bom senso no pais. Ao viver as repressões morais da sociedade por não ter um determinado aparelho de celular, ou vestir determinada roupa, não se enquadrar em determinada moda ou viver num determinado padrão de vida e todo dia ao ligar a TV ou acessar a internet só aprecia notícias ruins, essas pessoas perdem seus interesses pelos valores morais e a manutenção do Estado, vendo-o apenas como impostor indesejável.               
Os dois lados da corrupção
O esquema

No final, a sociedade percebe que muito se fala e nada o é que se faz. Tudo continua como estava antes não havendo nenhumas expectativas de mudança. Enquanto a sociedade aceita, os coronéis dos esquemas estão satisfeitos continuando suas missões de atravessar gerações de políticos e empresários da mesma família detendo mais da metade das riquezas da nação e governado –a. Para eles, só basta a manutenção, devendo a sociedade chamada de massa apenas obedecer e manter a “ordem”.