Por que a direita saiu vencedora nas eleições 2014

Por que a direita saiu vencedora nas eleições 2014

Nas eleições de 2014, o brasil passava por em grande reboliço social e econômico que dividiu o país ao meio de uma forma como há muito tempo não se via. A presidente da república, Dilma Rousseff, foi reeleita com 51% dos votos, contra 49% de Aécio Neves. Foi uma das eleições mais apertadas da história e também uma das mais emocionantes, com direito a acontecimentos hollywoodianos e 7×1 alemão para apimentar a história.

Já no primeiro turno, houve uma grande reviravolta. O candidato presidencial Eduardo Campos estava em terceiro lugar nas pesquisas, formando chapa com a senadora marina silva, que era mais bem avaliada nas pesquisas do que o próprio candidato. Algo como o reserva estivesse atuando na vaga do titular. Então uma tragédia acontece: o trágico acidente aéreo que ceifa a vida de Eduardo Campos, lançando marina como principal candidata a derrotar Dilma que liderava as pesquisas sem muito incômodos do segundo colocado Aécio Neves.

Marina ultrapassou Aécio neves nas pesquisas e aproximou-se de Dilma, fazendo com que todos já considerassem o senador carta fora do baralho no segundo turno.

Era mais uma vitória garantida da esquerda nas eleições presidenciais brasileiras. A quarta seguida – 2002 e 2006 com lula e 2010 com Dilma- já que Dilma Rousseff é do PT e marina silva, no momento PSDB, mas sempre ligada aos movimentos da esquerda e ex-PT.

Não que Aécio Neves representasse a direita – no máximo um centrista – mas era o candidato “menos da esquerda” e para a direita o candidato mais alinhado aos seus ideais, principalmente no que diz respeito à economia, já que a nova matriz econômica implementada por lula no fim de seu segundo mandato, como uma das medidas para o país não afundar junto com algumas das principais economias globais devido à crise de 2008, promovendo incentivos fiscais como redução do ipi para automóveis e eletrodomésticos, crédito subsidiado para compra de imóveis como o minha casa, minha vida, dentre outros, que se no cenário em que foi implementada foi benéfica e acertada, deveria ter sido abandonada ou no mínimo reduzida, pois a arrecadação vinha caindo e os gastos mantidos ou aumentados. Essa política de incentivos e crédito farto e barato, fez com que a população experimentasse uma sensação de bonança e tempos de prosperidade, como a compra do primeiro carro zero, a compra da sonhada casa própria e pleno emprego, que fizeram a governo ter um grande apoio popular e garantido o PT no poder em 2010, já estava entrando em um ciclo que se mostraria insustentável e aquilo que lhe manteve no poder, está prestes a retirá-lo do poder.

Voltando às eleições, eis que chega à etapa derradeira do 1º turno das eleições presidenciais com todas as pesquisas indicando marina e Dilma no 2º turno. Mas uma reviravolta ocorreu. A eleição colocou em evidencia que no país havia um grande número de simplesmente anti-petista, que só queriam outro governo independente de quem fosse, parece que se uniram em peso e colocaram Aécio Neves no segundo turno junto com Dilma Rousseff e ele soube capitalizar este apoio e se colocou como candidato de quem realmente o apoiava: a direita.

No final das contas deu Dilma, com margem apertada e então o seu pesadelo começou. A direita perdeu a eleição presidencial, mas ganhou no congresso, principalmente na câmara dos deputados, haja vista a nova bancada da bala e a bancada religiosa que ganhou mais assentos.

O presidente da câmara se tornou oposição e entrou em um cabo de guerra com o executivo para ver quem cai primeiro resultando na abertura do processo de impeachment da presidente como moeda de troca e sobrevivência. A presidente da república, sem apoio no congresso e nem mesmo em sua base aliada, vem fazendo diversos “pactos com o diabo” para se salvar e ainda corre o risco de perder o cargo em processos no TSE, por suspeitas de dinheiro ilícito desviados da Petrobrás em sua campanha de reeleição e no TCU, por conta das famosas “pedaladas”. A economia está em recessão e acumulando resultados negativos com uma inflação na casa dos 10% e uma taxa básica de juros em quase 15%, penalizando os mais pobres principalmente. Uma onda de investigações e prisões de empresários e políticos envolvidos em corrupção vem varrendo a república como nunca antes visto.

E nesse cenário de caos e insegurança, surge um ambiente propício para radicais e populistas colocarem seus discursos inflamados, “jogando para a plateia” e difundindo suas ideias. Hoje o Jean Willys e Jair messias Bolsonaro, podem ser considerados os maiores candidatos à presidência da república. Sem comentários.

Na argentina, depois de fim da hegemonia Kirchnerista, Mauricio Macri, um político de direita, surge como a esperança de um governo liberal ter sucesso na américa latina, hoje dominada pela esquerda e centro-esquerda, não só em solo hermano, para que o liberalismo seja alçado como a solução dos problemas macro e microeconômicos latinos. Macri parece ser um político de boas ideias e espero que tenha sucesso. Tem ideias palpáveis e que podem ser aplicadas na prática, tem como meta e ideal enxugar os gastos com o estado e desestatizar a economia e adotar uma postura economicamente austera. Esse é o pensamento que domina as discussões, até mesmo dos governos de esquerda como o brasileiro, apesar de o novo ministro da fazenda, Nelson Barbosa e a presidente estarem na prática tentando incentivar o crescimento com as mesmas medidas passadas já descritas aqui.
 
Por que a direita saiu vencedora nas eleições 2014
A imagem dispensa comentário mesmo para os mais leigos
Programas sociais correm o risco de serem abandonados por falta de verba; a redução da maioridade penal vem ganhando força e provavelmente será aprovada; discursos inflamados de discriminação de minorias ocorrem aos montes nas redes sociais; movimentos nacionalistas vêm ganhando força; movimentos para a liberação de porte de arma crescem em todo país, etc.

Ser de direita está na moda e se Aécio tivesse ganhado as eleições, tudo isto provavelmente seria abafado e passado a limpo, já que seriam “novos tempos”.


Escrito pelo grande amigo Marcos Philip Fernandes.