Teoria do bonde observada sob razoabilidade na realidade jurídica

Teoria do bonde observada sob razoabilidade na realidade jurídica

O que pode ser considerado um crime e o que pode ser considerado ético ou não ético? Ora, são tantas as influências para justificar esses conceitos humanos, cuja maior força intervencionista é a própria modelagem cultural em que uma sociedade vai desenvolvendo. Imaginemos que você, pilotando um bonde em um trilho cuja linha rotineira foi demarcada, mas com um período determinado de trafego. A uns quilômetros a sua frente, 5 homens trabalham na manutenção da linha. O bonde na qual está manobrando e que deveria parar em um determinado ponto perde totalmente o controle em alta velocidade, e você sabe que a frente há 5 homens trabalhando. E agora? Vai matar os 5 homens? Agora imaginemos que você ainda tem o controle da direção do bonde, e que   um pouco antes dos 5 homens há uma linha a direita cuja esta não é permitida circulação. Nela, há um senhor de 65 anos trabalhando tranquilamente na total certeza que ali nunca trafegará um bonde, mas é sua única saída para salvar os cinco homens. E agora...vai matar um senhor de 65 anos que não tem nada a ver com tudo isso ou vai matar os cinco homens?

Suponhamos agora que você ainda está no controle do bonde e conhece o homem que trabalha na linha da direita: Tem de 3 filhos, um com 5 anos, outro com 10 e o mais velho com 12. Sua família, depende totalmente do seu trabalho, sua esposa não trabalha e você tem total ciência disso. Também tem ciência que os cincos homens que trabalham na linha principal onde o bonde deveria passar, não tem filhos e nenhum dependente. Você mataria os cinco e deixaria um viver? Ou mataria um homem cujas famílias de 4 membros são totalmente dependentes e não tinha nada a ver com tudo isso para que os cincos possam viver?

Agora imaginemos que você não está no controle do bonde e sim numa passarela acima da linha férrea, e ao seu lado um homem super obeso comendo uma caixa de chocolate e tomando coca. Ambos, (você e o indivíduo) estão apreciando o lindo pôr do sol. Você está vendo tudo que vai acontecer. Tem total conhecimento de ambas as partes, mas o cara obeso do seu lado não tem sequer um cachorro para tratar e ainda dá uma tapinha na esquina. Mas você pode impedir a tragédia se empurrar o obeso da passarela   na linha do bonde. Nem o senhor e nem os 5 trabalhadores precisarão morrer. E agora? O que você faria? Deixaria os 5 homens morrer? Deixara o senhor que não tem nada a ver com isso e ainda tem 3 filhos e uma esposa para cuidar morrer? E se o senhor da linha da direita fosse seu pai e os 5 fossem seus irmãos o que você faria?

Agora imaginemos que na linha a direita esteja duas crianças e a mãe brincando na total certeza que o local é seguro. Na linha a esquerda estão os cinco homens trabalhando. E agora, em vez de obeso, há um mendigo atravessando a passarela. Você pode empurrar o pobre mendigo nos trilhos e salvaria os cinco homens trabalhando na linha a esquerda, e as duas crianças e sua mãe a linha a direita. Você empurraria um simples coitado que assim como as crianças e a mãe, não tem nada a ver? E se as crianças fossem seus filhos e a mulher sua esposa, e os cincos homens seu pais e seus irmãos, você empurraria o mendigo nos trilhos? Agora, suponhamos que você fosse o obeso comendo chocolate e tomando coca, e que ainda desse uma tapinha na esquina, e tem a ciência de que se jogasse nos trilhos salvaria sua família nos trilhos a direita e sua família no trilho a esquerda. Se jogaria da passarela aos trilhos para salvar todos eles? E se nenhum deles fosse parentes seu, o que você faria?

Vamos confrontar ideologias de interesses culturológicos. Suponhamos que um padre e um pastor, ambos de seu conhecimento e de igual amor, honestos e trabalhadores. Ambos estão na ponta de alguma armadilha, e para que um viva o outro precisa morrer. Qual você salvaria? E se os dois fosse seus irmãos? Agora, o padre é seu irmão e o pastor é seu pai. Qual deles você mataria e qual deles você salvaria?

Você é um guarda novo de um parque e na sua entrada uma placa diz o seguinte: ” proibido entrada de veículos. Permitido entrada de animais”. As regras são claras e rígidas. Dentro desse parque tem uma ciclovia.  Aparece uma figura montado em um cavalo. Você o deixaria entrar? Qual a orientação você o daria, lembrando que é permitido a entrada de animais e vedada a entrada de veículos? Um tempo depois da situação resolvida aparece um ciclista? E agora, vai deixar ele entrar?  Agora suponhamos que a regra seja muito mais rígida e proíbe a circulação de quaisquer espécies de veículos, e caso isso venha a acontecer perderá o emprego.  Só que nesse dia um cadeirante   aparece na portaria. Você impediria o acesso dele ao parque? Agora imaginemos que a regra seja o seguinte: “Permitido entrada de veículos, vedada a entrada de animais. ” Neste caso, ciente da rigidez das sanções, deixaria o homem montado num cavalo entrar? Agora, abaixo da primeira placa uma outra diz o seguinte: “Área publica, permitida para quaisquer cidadãos. É intolerável o preconceito, acesso fácil para deficientes”. Lembrando que é proibida a entrada de animais. Mas um deficiente visual orientado pelo seu cão tenta acessar o parque. O que você faria?           
Teoria do bonde observada sob razoabilidade na realidade jurídica
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